Explorar
Menu
Pesquisa
Associado

Menu

Pesquisa

Negociação coletiva no setor público volta ao debate em agosto

Publicado em 15 de Julho de 2026 Por ADURN Sindicato
Negociação coletiva no setor público volta ao debate em agosto

A regulamentação da negociação coletiva no setor público voltará ao centro do debate no Congresso Nacional após o recesso parlamentar. Sem consenso sobre o texto substitutivo apresentado pelo relator do Projeto de Lei (PL) 1893/26, deputado André Figueiredo (PDT-CE), a proposta não será votada pelo Plenário da Câmara dos Deputados antes da pausa nas atividades legislativas.

O projeto encaminhado pelo governo federal ao Congresso, em abril deste ano, é resultado de um amplo processo de construção coletiva. A proposta foi elaborada por um grupo de trabalho interministerial criado em agosto de 2023, com participação de representantes dos servidores públicos, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Para o Coletivo das Três Esferas da CUT, entidades filiadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT), o texto enviado pelo Executivo representa um consenso construído ao longo de anos de negociação e acúmulo de debate da luta sindical. Por isso, defendem que o projeto seja aprovado sem alterações que comprometam esse entendimento.

Um parecer jurídico solicitado pela CUT e suas entidades filiadas conclui que não há margem para dúvidas de que a interlocução coletiva de trabalho é uma atribuição exclusiva das entidades sindicais, conforme estabelece a legislação e as convenções internacionais ratificadas pelo Brasil.

O Fórum das Centrais Sindicais também permanece mobilizado para garantir a aprovação do PL 1893/26. A proposta estabelece que a negociação coletiva no serviço público seja permanente e estruturada, com pauta definida entre a administração pública e as entidades representativas dos servidores e empregados públicos. O texto prevê, no mínimo, uma rodada anual de negociações, fortalecendo o diálogo entre governo e trabalhadores.

Além da questão jurídica é importante observar ainda um desafio prático. Apenas na esfera federal existem cerca de 8 mil associações, além de aproximadamente 400 sindicatos. A organização de um processo de negociação com mais de 8.400 entidades pode, na prática, inviabilizar até mesmo o processo, criando o efeito oposto e fragilizando o diálogo entre governo e representantes dos servidores.

A expectativa das entidades sindicais é que, após o recesso parlamentar, o diálogo seja retomado e o consenso construído durante o grupo de trabalho prevaleça, permitindo a rápida votação do PL 1893/26 e o avanço da regulamentação da negociação coletiva no setor público, uma reivindicação histórica dos servidores brasileiros.


Compartilhar: