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Bolsista no exterior está na melhor insituição disponível, diz governo

Publicado em 21 de Janeiro de 2013 Por ADURN Sindicato

 Os bolsistas do Ciência sem Fronteiras estão nas melhores instituições "disponíveis", afirmou a Capes (um dos órgãos federais responsáveis pelo programa). "Prioritariamente", declara o órgão do Ministério da Educação, os alunos vão para as escolas mais bem conceituadas em cada área.
Se a universidade não aparecer em boas posições nos rankings, ainda assim ela pode receber alunos, afirma a Capes --desde que as instituições parceiras comprovem com especialistas que tal curso é de excelência.
Um dos exemplos citados é a Universidade do Porto, a segunda que mais recebeu graduandos, que não consta entre as 400 melhores no ranking THE e é 401ª no QS.
A universidade, diz a Capes, possui "uma das melhores escolas de engenharia civil na Europa". Os cinco graduandos brasileiros em engenharia na instituição, porém, estão em outras modalidades (elétrica, mecânica e tecnologia da informação), segundo o site oficial do programa.
"Universidades de primeira linha não delegam a seleção de seus estudantes a outras instituições", afirmam em artigo os pesquisadores Claudio de Moura Castro (Positivo), Hélio Barros (ex-secretário de Ensino Superior do MEC), James Ito-Adler (Cambridge) e Simon Schwartzman (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade).
"Instituições de menos prestígio e mais premidas [necessitadas] por dinheiro podem fazê-­lo, mas isso pode significar degradação na qualidade da experiência de estudos no exterior", dizem.
"Passar um ano fora, no meio de um curso de graduação, pode ser divertido para o estudante, mas pode não significar muito em termos de sua formação", afirmou Schwartzman à Folha.
Já o coordenador do grupo de pesquisa da Unicamp sobre ensino superior, Renato Pedrosa, diz ser preocupante o número de alunos financiados em universidades portuguesas --país que recebeu 2,3 mil graduandos, ante 2,9 mil alunos nos EUA.
"Parece um escolha pobre, em particular, pois os estudantes nem terão tido a experiência de aprofundar os conhecimentos numa língua diferente do português, nem terão contato com o que se faz de realmente melhor academicamente na grande maioria das áreas", afirma.
A Folha questionou o governo desde segunda-feira sobre a localização de todos os bolsistas (incluindo os de pós), mas não obteve resposta.

Fonte: Folha

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