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Docentes da UFRJ acusam movimento grevista de partidarização e são impedidos de voltar ao trabalho

Publicado em 15 de Agosto de 2012 Por ADURN Sindicato

Na última segunda-feira, 13 de agosto, docentes do Instituto de História (IH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) tentaram voltar ao trabalho, mas foram impedidos por um grupo de estudantes com apoio de partidos políticos e até representantes de universidades particulares, que trancaram os portões do campus do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Largo de São Francisco, no Centro do Rio.
Os docentes do IH acusam o comando de greve de partidarização do movimento. Do outro lado, a seção sindical da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (AdUFRJ) rebate dizendo que eles advogam para o governo. Um dos organizadores do ato, o estudante de Filosofia e membro do comando de greve da UFRJ, Julio Anselmo, é candidato a vereador no Rio pelo PSTU. Também estiveram no movimento políticos ligados ao PSOL.
— Querem impor a política do cadeado. Só vi esse prédio fechado duas vezes na minha vida acadêmica: uma pelo Figueiredo, no inicio dos anos 1980, na ditadura militar, e outra agora. É um absurdo não termos o direito nem de acessar a instituição onde trabalho — reclama o professor Francisco Teixeira, titular da cadeira de História Moderna e Contemporânea no IFCS.
É a terceira vez na história que o prédio — símbolo da resistência estudantil contra a ditadura — é fechado. As outras duas vezes foram exatamente durante o Regime Militar, por imposição das forças de segurança. No momento, os universitários realizam uma assembleia para decidir se a ocupação do prédio continuará duarnte a semana.
Anselmo minimiza a participação dos partidos políticos na greve e ataca os professores:
— Esses professores não acataram a decisão da assembleia geral que votou pela permanência da greve, na sexta-feira e, numa reunião secreta, decidiram voltar a trabalhar. O calendário acadêmico está suspenso. Isso é um desrespeito à democracia — afirma Julio Anselmo.
— Não somos contra a paralisação, mas sim contra o modo como ela está sendo tocada. De política, a greve virou partidária — rebateu Teixeira.
A disputa política também acontece em Brasília onde os dois grupos políticos tentam se legitimar na negociação com o governo federal. Um grupo ligado ao PSTU, PSOL e PCB montaram o Comando Nacional da Greve (CNG) e estão longe de fechar um acordo com o Planalto.
Professores questionam assembleia
Os professores que tentaram voltarão trabalho no Instituto de História também reclamam da condução da AdUFRJ nas assembleias que deliberaram pela continuação da paralisação. Para eles, o debate não é democrático.
A confusão na porta do IDCS começou por volta das 8h30, quando mais de dez professores do IH tentaram entrar no prédio com o objetivo de iniciar o semestre letivo. Os alunos grevistas impediram a passagem dos docentes e fecharam os portões do prédio. Eles argumentaram que só abririam negociação quando o representante do AdUFRJ chegasse.
Por volta das 10 horas, o presidente do sindicado, Mauro Iasí, chegou e foi conversar com o grupo.
Depois de ser questionado pela maneira em que o debate era conduzido, Iasí se exaltou e aos berros agrediu verbalmente uma das professoras que tentaram furar o bloqueio.
— Houve uma discussão, mas sem agressão. Não admito que alguns (professores) simpatizantes ao governo quebrem uma decisão coletiva do movimento — disse Iasí.
As informações são do jornal O Globo
 

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