Explorar
Menu
Pesquisa
Associado

Menu

Pesquisa

Câmara aprova punição para trotes violentos nas universidades

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato

Os alunos responsáveis pelos trotes poderão ser punidos com multa de até R$ 20 mil, suspensão por até seis meses e expulsão.
O Plenário aprovou, nesta quarta-feira, o Projeto de Lei 1023/95, que proíbe a realização de trotes violentos ou vexatórios contra alunos do ensino superior. Ele determina que a faculdade abra processo disciplinar contra os estudantes responsáveis por esses atos. A matéria segue para o Senado.
De acordo com o texto, resultante de uma emenda dos deputados Flávio Dino (PCdoB-MA) e Carlos Sampaio (PSDB-SP), fica proibido o trote que constranja os calouros; exponha os alunos de forma vexatória; ofenda sua integridade física, moral ou psicológica; ou obrigue os estudantes a doarem bens ou dinheiro.
Processo
A redação aprovada não teve consenso, e foram manifestadas dúvidas sobre a eficácia das normas do projeto. O deputado Regis de Oliveira (PSC-SP) alertou, por exemplo, que não está prevista sanção contra a faculdade que não abrir o processo contra quem praticar o trote violento. "Se o processo não for instaurado, a instituição nada sofrerá e nada acontecerá", ponderou.
Segundo o texto, o processo disciplinar seguirá as normas de cada instituição de ensino, assegurados o contraditório e a ampla defesa. Poderão ser aplicadas as seguintes sanções: multa de R$ 1 mil a R$ 20 mil, suspensão do aluno por um a seis meses e expulsão. Essa última penalidade impedirá o aluno de se matricular na mesma instituição pelo prazo de um ano.
O dinheiro das multas deverá ser usado na compra de livros para as bibliotecas das universidades.
Calendário
Antes do início das aulas, as universidades deverão instituir uma comissão de professores e estudantes para elaborar um calendário de atividades de recepção dos novos alunos. O objetivo será integrar os calouros à vida universitária e permitir que eles conheçam as instalações e o funcionamento da instituição.
Em qualquer caso, a atividade não poderá ter duração total superior a 20 horas e acontecerá no primeiro mês do período letivo.
Segundo o deputado Flávio Dino, o projeto estimula a cultura da paz e dos direitos humanos. "O texto prevê um sistema de sanções bastante ponderado, no qual a expulsão do aluno é o último recurso contra os atos mais graves", afirmou.
Parlamentares divergem sobre a eficácia do projeto
O projeto que pune os trotes (PL 1023/95) dividiu opiniões em Plenário. O deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP) disse que quando foi ministro da Educação se recusou, mesmo pressionado, a adotar medida semelhante. "Os educadores não foram ouvidos", criticou. Já o líder do PSB, deputado Rodrigo Rollemberg (DF), elogiou a aprovação da matéria. Segundo ele, é importante que o Congresso tenha uma posição clara e defina os limites para o trote.
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) advertiu que o projeto representa "uma intromissão muito forte" na vida universitária. Fernando Ferro (PT-PE) pediu à Câmara que evitasse uma "decisão precipitada", pois "o assunto requer um pouco mais de prudência".
Ao lembrar a morte de um calouro de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) há dez anos, por causa de um trote na piscina, o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP), informou que os responsáveis hoje são médicos e não foram punidos. "O texto ideal nunca existirá, mas a proposta aprovada é um testemunho do compromisso da Câmara com o fim dessa prática", avaliou.
Para o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP), o mais importante é haver um compromisso da direção das universidades: "Os professores, diretores e reitores têm obrigação de acompanhar os trotes e ver o que está acontecendo."
Amadurecimento
Contra o projeto, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) argumentou que o problema deve ser resolvido pelo amadurecimento do convívio universitário, e não por meio do rigor da lei. Conforme ele lembrou, já existem leis para punir os excessos.
O líder do PPS, deputado Fernando Coruja (SC), disse que a solução deveria ser "pela educação e não pela tipificação de um crime ou pelo agravamento da pena". O deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) destacou sua preocupação com a técnica legislativa. Segundo ele, o substitutivo mistura crime com sanção administrativa, o que é um "problema flagrante".

Compartilhar: