Com oito barracas, estudantes acampam no prédio da história e geografia da USP
Alguns estudantes montaram um acampamento no vão livre do prédio da história e da geografia da FFLCH/USP (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo). Na última segunda-feira (21), oito barracas estavam no local, dispostas em círculo, com sofás e tapetes compondo a instalação. Segundo uma aluna que não quis ser identificada, os estudantes estão ali desde a última assembleia geral, realizada no dia 17 de novembro.
Felipe Blanco, 23, está acampado na FFLCH e também participou da ocupação da reitoria. Ele estuda letras na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e disse que foi para a USP no dia 27 de outubro, viu o que aconteceu [confronto entre estudantes e policiais] e decidiu ficar na universidade. “A gente cansou de ocupar a ‘casa dos outros’ [reitoria] e resolveu ocupar a nossa casa”, afirmou.
De acordo com alunos da universidade, outro acampamento também estava montado entre os prédios da psicologia, mas foi desmontado no final de semana e deveria ser reativado novamente. No local, havia um cartaz e restos de uma fogueira ao lado de uma armação no formato de cama feita com bambus.
“Acho que o objetivo desse acampamento era mostrar como os locais podem ser ocupados de forma pacífica”, disse Renata Roizman, 19, aluna de psicologia da USP.
Problemas com a PM
Relembrando o dia da reintegração de posse da reitoria, Felipe critica a ação da PM (Polícia Militar) e afirma que o movimento foi tratado mal pela opinião pública. “Um dia antes do Choque entrar, a gente limpou tudo, porque ia ter uma assembleia à noite. Enquanto os policiais faziam a revista [já no dia da desocupação], os móveis foram sendo quebrados e as barricadas montadas pelos policiais. Só não fizeram o molotov [bomba caseira] na nossa frente, porque era demais”, afirmou Felipe.
As reclamações sobre abusos policiais foram feitas desde o dia da desocupação da reitoria. Os estudantes assumiram a responsabilidade de terem quebrado um dos portões do prédio, por onde eles invadiram o local, e as câmeras de segurança do térreo. Eles também confirmaram serem os autores das pichações na reitoria, mas negam as acusações de depredação do prédio e preparação de bombas caseiras.
O Ministério Público já solicitou a abertura de um inquérito para investigar a ação da Polícia Militar na reintegração de posse a reitoria da USP. Será investigada à atuação da PM no Crusp (Conjunto Residencial da USP) durante a operação. Segundo denúncias, os PMs teriam usado bombas de efeito moral, feito ameaças e bloqueado o caminho dos estudantes – alguns estariam dormindo na hora em que a PM chegou ao local.