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Associação de professores da USP descarta greve por causa de reintegração de posse

Publicado em 10 de Novembro de 2011 Por ADURN Sindicato

A Adusp (Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo) descartou na noite desta quarta-feira (9) entrar em greve por causa da reintegração de posse da reitoria da instituição, executada ontem (8) pela polícia e que resultou na prisão de mais de 70 manifestantes. Em assembleia, eles decidiram não parar as atividades.
A assessoria de imprensa da associação diz que não vai divulgar quantos professores estavam presentes. De acordo com ela, os docentes vão pedir uma audiência com o reitor da USP, João Grandino Rodas, e com o governador de SP, Geraldo Alckmin, para discutir a reintegração. A Adusp diz que não apoiou a invasão da reitoria, mas defende a saída da polícia militar do campus.
Unesp
Estudantes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Marília bloquearam nesta quarta-feira (9) a entrada da instituição em apoio aos manifestantes da USP. Segundo os alunos, uma assembleia decidiu pelo fechamento das portas. Alunos que queriam ter aula também fizeram um protesto contra o bloqueio. A direção da Unesp havia pedido aos estudantes que liberassem a entrada a partir das 14h, apesar de eles prometerem que o movimento duraria 24 horas.
A polícia afirma que recebeu uma ligação solicitando uma viatura no local, mas avaliou que não deveria intervir. Ontem, na USP, os estudantes decretaram greve geral, em protesto contra as prisões dos manifestantes da capital paulista. Estudam no local 2.156 alunos de graduação e 529 de pós.
USP
Os estudantes presos após a operação de reintegração de posse na reitoria da USP começaram a ser liberados por volta das 23h de ontem. Eles eram chamados em grupos de quatro para exames de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) e, em seguida, liberados.
Um dos primeiros a sair, um estudante de ciências sociais que não quis se identificar, chamou a detenção de "prisão política, mas [com] motivação legal falsa", quando se referiu à acusação de que teria havido depredação de patrimônio público.
A saída aconteceu após o pagamento de fiança, no valor total de R$ 39.240 (R$ 545 por manifestante). O dinheiro foi arrecadado por filiados da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas) em todo o país.
Reintegração de posse
A reintegração de posse da reitoria da USP terminou por volta das 7h20 da manhã desta terça-feira. Segundo Maria Yamamoto, coronel da PM, "não houve resistência; eles foram pegos de surpresa". Até uma estudante com uma garrafa de vinagre foi detida. Os policiais militares pensaram que a garrafa nas mãos da mulher era uma bomba caseira. A identidade da mulher não foi divulgada.
O prazo para os estudantes deixarem o edifício venceu na noite de segunda (7), às 23h. Em assembleia realizada ontem, os estudantes optaram por permanecer no prédio. Havia cerca de 600 estudantes na reunião.
Os alunos ocupam o local desde a madrugada da última quarta-feira (2), em manifestação contra a presença da Polícia Militar no campus da USP no Butantã e contra processos administrativos envolvendo funcionários da USP.
Debate sobre a PM
O debate sobre a presença da PM no campus voltou à pauta na quinta-feira (27), quando policiais abordaram três estudantes que estavam com maconha no estacionamento da faculdade de História e Geografia. A detenção gerou confusão e confronto entre estudantes e policiais --que culminou com a ocupação da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e, posteriormente, da reitoria.
A presença dos policiais no campus --defendida pelo reitor, João Grandino Rodas, e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB)-- passou a ser mais frequente e em maior número após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, em maio deste ano. Em setembro, o reitor e o governador assinaram um convênio, autorizado pelo Conselho Gestor do Campus, para regulamentar a atividade da PM na USP.
Os contrários à PM no campus dizem que a medida abre precedente para a polícia impedir manifestações políticas "que comumente ocorrem dentro do campus" e citam o episódio de junho de 2009, quando a Força Tática da PM entrou na universidade para reprimir um protesto estudantil e acabou ferindo os estudantes e jogando bombas dentro de unidades.
Como alternativa à PM, o DCE (Diretório Central dos Estudantes) defende que a segurança do campus não seja militarizada, isto é, que seja de responsabilidade da Guarda do Campus. A entidade defende que haja mais iluminação das vias do campus e que a USP mais seja aberta à comunidade externa, aumentando a circulação de pessoas.
Uma parcela dos alunos, sobretudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e da Escola Politénica, defende a presença da PM, argumentando que isso aumenta a segurança dos frequentadores do campus.

UOL Educação

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