Em assembleia, alunos da USP decretam greve geral
Os estudantes da USP (Universidade de São Paulo), reunidos em assembleia na noite desta terça-feira (8), decidiram decretar greve geral do corpo discente, em protesto contra a prisão de manifestantes durante a reintegração de posse na reitoria da instituição na madrugada de hoje. Eles também pedem a saída da Polícia Militar do campus.
A assembleia começou por volta das 20h30, no prédio do curso de história. Cerca de 3.000 estudantes participaram da assembleia. Diferentemente do que informou o UOL mais cedo, os alunos decidiram, em votação, não reocupar a reitoria.
Fiança
A advogada da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), Eliana Lúcia Ferreira, afirmou que a organização já pagou a fiança de 72 manifestantes presos após a reintegração de posse. Segundo ela, o valor total é de R$ 39.240 (R$ 545 por manifestante). O dinheiro foi arrecadado por filiados da organização em todo o país.
A polícia está processando os alvarás de soltura dos estudantes e, como eles devem ser feitos um a um, o processo deve levar algumas horas.
Reintegração de posse
A reintegração de posse da reitoria da USP terminou por volta das 7h20 da manhã desta terça-feira. Segundo Maria Yamamoto, coronel da PM, "não houve resistência; eles foram pegos de surpresa". Até uma estudante com uma garrafa de vinagre foi detida. Os policiais militares pensaram que a garrafa nas mãos da mulher era uma bomba caseira. A identidade da mulher não foi divulgada.
O prazo para os estudantes deixarem o edifício venceu na noite de segunda (7), às 23h. Em assembleia realizada ontem, os estudantes optaram por permanecer no prédio. Havia cerca de 600 estudantes na reunião.
Os alunos ocupam o local desde a madrugada da última quarta-feira (2), em manifestação contra a presença da Polícia Militar no campus da USP no Butantã e contra processos administrativos envolvendo funcionários da USP.
Debate sobre a PM
O debate sobre a presença da PM no campus voltou à pauta na quinta-feira (27), quando policiais abordaram três estudantes que estavam com maconha no estacionamento da faculdade de História e Geografia. A detenção gerou confusão e confronto entre estudantes e policiais ¿que culminou com a ocupação da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e, posteriormente, da reitoria.
A presença dos policiais no campus ¿defendida pelo reitor, João Grandino Rodas, e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB)¿ passou a ser mais frequente e em maior número após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, em maio deste ano. Em setembro, o reitor e o governador assinaram um convênio, autorizado pelo Conselho Gestor do Campus, para regulamentar a atividade da PM na USP.
Os contrários à PM no campus dizem que a medida abre precedente para a polícia impedir manifestações políticas ¿que comumente ocorrem dentro do campus¿ e citam o episódio de junho de 2009, quando a Força Tática da PM entrou na universidade para reprimir um protesto estudantil e acabou ferindo os estudantes e jogando bombas dentro de unidades.
Como alternativa à PM, o DCE defende que a segurança do campus não seja militarizada, isto é, que seja de responsabilidade da Guarda do Campus. A entidade defende que haja mais iluminação das vias do campus e que a USP mais seja aberta à comunidade externa, aumentando a circulação de pessoas.
Uma parcela dos alunos ¿sobretudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e da Escola Politénica¿ defende a presença da PM, argumentando que isso aumenta a segurança dos frequentadores do campus.