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Entidades saem em defesa de reitor da USP e criticam Faculdade de Direito

Publicado em 13 de Outubro de 2011 Por ADURN Sindicato

Depois de ser considerado persona non grata pela Congregação da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, o reitor da USP, João Grandino Rodas, recebeu manifestações de apoio de todo o comando da universidade, do Conselho Estadual de Educação e da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul – Rodas é juiz federal aposentado.
Em carta assinada por diretores de faculdades, museus e institutos especializados da USP, a decisão da São Francisco é considerada uma afronta a “valores primordiais” da comunidade acadêmica. Segundo o documento, a manifestação de professores, funcionários e alunos da Faculdade de Direito foi “arbitrária”, pois pretende interditar o espaço da unidade “ao exercício pleno da autoridade legítima a ele (reitor) conferida e assegurada pela instituição”.
Intitulada “A Força da USP é sua Unidade”, a carta foi redigida por dirigentes de dez unidades em reunião na última quinta-feira, na Escola Politécnica. O diretor da Poli, José Roberto Cardoso, diz que o objetivo é “encerrar o assunto de uma vez”. “Não podemos deixar que esse assunto se prolifere e crie situações que possam tornar irreversível o convívio harmônico na USP.”
O comunicado faz referência à polêmica envolvendo o Clube das Arcadas, empreendimento privado do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Associação de Antigos Alunos da Faculdade de Direito e da Atlética. O clube foi lançado no Salão Nobre da São Francisco, o que fez o reitor escrever sucessivos comunicados afirmando que o complexo esportivo e cultural, a ser construído no Parque do Ibirapuera, nada tem a ver com a universidade. Em resposta, integrantes da faculdade afirmaram que o salão pertence à São Francisco, e não à USP.
O reitor também recebeu moção de apoio do Conselho Estadual de Educação, órgão normativo, deliberativo e consultivo do sistema de ensino de São Paulo. Segundo o documento, obtido pelo Estado, a manifestação da Faculdade de Direito “fere a ética universitária” e indica “um processo mais amplo de desqualificação do espaço público democrático no Brasil”. Rodas é um dos 24 membros titulares do CEE.
Em reunião na última quinta-feira, os conselheiros saíram em defesa do reitor e decidiram escrever a moção de apoio. Fazem parte do órgão ex-secretários estaduais e municipais de Educação. Dez conselheiros se manifestaram contra a decisão da São Francisco. Mauro Aguiar, diretor do Colégio Bandeirantes, classificou a atitude de “caipirismo pavoroso, restrição mental absurda e carência fabulosa.”
A Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp) enviou ontem moção de apoio à reitoria.“Entendemos que declarar persona non grata um professor que dedicou mais de 40 anos de sua vida à pesquisa e ao ensino acadêmico é um ato que destoa do espírito sensato e democrático da Faculdade de Direito”, diz a entidade na nota. “A Ajufesp torce para que haja uma rápida saída para o impasse.”
Para o diretor da Faculdade de Direito, Antonio Magalhães Gomes Filho, a manifestação da congregação foi “necessária” para “dar um chega pra lá” na reitoria. Ele diz que já esperava uma reação, mas afirma que a “briga não é com a USP”. “É com Rodas. E só vai terminar quando terminar o mandato dele.”

Estadão

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