Médicos fazem paralisação nacional contra planos
Médicos de todo o país farão, nesta quarta-feira (21), uma paralisação nos atendimentos a pacientes de planos de saúde para cobrar reajuste nos pagamentos e mais autonomia profissional.
Durante 24 horas, será suspenso o atendimento conveniado em consultórios, ambulatórios e hospitais em todos os estados (com exceção do Rio Grande do Norte e Roraima), além do Distrito Federal. Não será paralisado o atendimento de casos de urgência e emergência.
Os médicos já haviam feito uma paralisação nacional em 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, quando apresentaram suas demandas. Desde então, como explica o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Cid Carvalhaes, as negociações pouco avançaram. "Nós chamamos [as operadoras] para negociação, mas não deram a menor resposta, nenhuma satisfação", explica.
A paralisação desta quarta-feira tem como alvo os planos que não apresentaram respostas satisfatórias ou que se recusaram a conversar com a categoria. Em São Paulo, os médicos estiveram paralisados desde o início de setembro, em um sistema de rodízio por especialidades, como forma de pressionar os planos.
Reivindicações
Os médicos defendem que o valor médio da consulta passe dos atuais R$ 30 para R$ 60. Em São Paulo, segundo Carvalhaes, onde o valor considerado ideal é de R$ 80, há profissionais que recebem apenas 22 reais por atendimento. Segundo o presidente da Fenam, a desafasagem nos honorários pagos à categoria é superior a dez anos.
Em uma carta divulgada nesta terça-feira (20), os médicos lembram que "nos últimos 12 anos, os índices de inflação acumulados chegaram a 120%. Por outro lado, os reajustes dos planos somaram 150%, enquanto os honorários médicos não atingiram reajustes de 50% no período".
Os trabalhadores também pedem que haja normas e regras para a contratação e dispensa de médicos, previsão de reajustes anuais e o estabelecimento de critérios de negociação coletiva com as entidades regionais, de acordo com as circunstâncias de cada localidade.
Outra reivindicação é a garantia de autonomia profissional. Segundo os médicos, a interferência dos planos dificulta o atendimento aos pacientes que, por consequência, são os mais prejudicados. Entre as reclamações estão a recusa, por parte das operadoras, de realizar procedimentos ou medidas terapêuticas, limitação do número de exames e interferência no tempo de internação (como determinação de alta hospitalar antes da hora).
Cerca de 160 mil médicos atuam na saúde suplementar, atendem usuários de planos e de seguros de saúde.