Editorial da Semana: Uma agenda propositiva e novos rumos
A evolução do debate acerca do orçamento de 2009, já iniciado no parlamento, provoca a necessidade de que o movimento docente volte a se debruçar sobre temas do seu interesse. Sem desconsiderar a importância da crise que atravessa o movimento e olhando atentamente sobre o desdobramento da conjuntura atual, uma parte do movimento docente, reunida no último dia 8 em Salvador-BA, fez uma proposta de construção de uma agenda política com temas de real interesse para a categoria.
Um dos temas propostos para o debate é da Previdência Complementar que afetará se e quando for devidamente regulamentada, a vida de milhares de professores que ingressarem nas universidades federais. Além disso, é fundamental manter o debate acerca da questão previdenciária, considerado um nó górdio das contas governamentais.
A universidade em debate
A questão das fundações deve ser debatida entre a categoria, pois se trata de um debate polêmico e que trás a tona a questão da autonomia das universidades e a problemática do financiamento. O correto é provocar o debate junto a todos os atores políticos envolvidos na dinâmica universitária e negociar com o governo, de acordo com a correlação de forças, uma proposta que preserve a concepção de financiamento público das universidades e que esteja atenta para a necessidade de dinamizar as formas de controle e gestão dos recursos públicos nas IFEs.
Manter e ampliar o debate sobre o REUNI, avançando nas questões de interesse da categoria e mostrando ao governo que a expansão da oferta de vagas não pode estar dissociada de uma política agressiva de recuperação salarial e de condições de oferta compatível com essa expansão. Abominar e rejeitar o REUNI é abdicar da possibilidade de atuar para melhorar o que já está em andamento.
Nova agenda política
Além destes temas que tem interesse concreto é mais do que evidente que o Movimento Docente precisa urgentemente reciclar sua agenda política colocando estes e outros temas como prioritários na sua pauta reivindicatória. Ausentar-se dos debates não é mais uma opção inteligente e participar dele com posições fechadas só podem resultar em perdas para a categoria. A opção pela negociação é uma necessidade objetiva e só pode se reverter em resultados positivos se o sindicato tiver uma agenda política propositiva e dinâmica.
A Diretoria da ADURN, eleita para dar novos rumos ao movimento docente, precisa estar sintonizada com os segmentos mais avançados do movimento social e preparada para o debate que necessariamente estará em pauta nos próximos meses. Abandonar definitivamente a retórica e aprofundar o debate sobre os diversos temas que afetam e afetarão a categoria, é uma necessidade para o sucesso da nossa ação política.