Crise do capitalismo já condenou 1,825 milhão ao olho da rua na Inglaterra
A taxa de desemprego na Grã-Bretanha subiu para 5,8% no terceiro trimestre deste ano, seu nível mais alto em mais de uma década, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (12-11), mesmo dia em que o Banco da Inglaterra reconheceu oficialmente que o país está mergulhado numa severa recessão.
A Agência de Estatísticas Nacionais informou que o número de pessoas sem emprego subiu para 1,825 milhão em três meses até setembro, o nível mais alto desde o último trimestre de 1997. O número de pessoas utilizando benefício de auxílio-desemprego subiu em 36.500, o maior aumento desde dezembro de 1992, quando a Grã-Bretanha passou por uma severa recessão.
Na medida em que avança, a crise do capitalismo nos países mais desenvolvidos vai revelando o seu caráter cíclico, com um problema subjacente de superprodução e excesso de capacidade instalada. Fica evidente, também, que os prejuízos maiores são descarregados sobre as costas largas da classe trabalhadora, que padece o desemprego em massa, prenúncio de arrocho salarial e maior precarização.
Recessão
A economia do Reino Unido registrou contração de 0,5% no terceiro trimestre e entrou em recessão no segundo semestre deste ano, segundo o relatório de inflação trimestral divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Banco da Inglaterra (BoE).
A se confirmar as expectativas do BoE, a economia britânica continuará em contração no primeiro semestre de 2009. Estima-se que deverá começar a se recuperar apenas no segundo semestre do próximo ano. O BoE revelou que há uma série de visões sobre a direção da economia no Comitê de Política Monetária, com a principal incerteza focada na fraqueza da libra esterlina. Contudo, o BoE disse que, no geral, os riscos ao crescimento e à inflação estão "amplamente balanceados".
A taxa de inflação no Reino Unido deve cair "bem abaixo" da meta de 2% no médio prazo, se a taxa básica de juro permanecer em 3% ao ano, afirmou o BoE. Segundo a instituição, há algum risco de deflação a partir do final de 2009 caso o juro não seja alterado. Contudo, a autoridade monetária disse que o risco de um período de queda de preços é relativamente pequeno.
O banco central acrescentou que as perspectivas para o crescimento econômico e a inflação são "extraordinariamente incertas". Para o crescimento, o BoE projeta que a economia irá se contrair a uma taxa anual de cerca de 2% até o segundo semestre de 2009, se os juros se moverem em linha com as expectativas do mercado, que seria de uma taxa básica de 2,75% no segundo semestre do próximo ano. No entanto, dentro da projeção central, a economia vai se recuperar no segundo semestre de 2009 e irá "crescer de certa forma acima da taxa média histórica" até 2011.
Juros
O presidente do BoE, Mervyn King, disse que o Comitê de Política Monetária está preparado para cortar o juro novamente, depois da redução de 1,5 ponto percentual na semana passada, para 3%, o menor nível desde os anos 1950.
"Estamos certamente preparados para cortar esse juro novamente se for necessário", disse ele. King afirmou que o comitê cortaria os juros para "qualquer nível que for necessário para assegurar" que a inflação volte à meta.
King também deu uma aprovação condicional aos planos do governo de lançar um estímulo fiscal para amortecer a desaceleração da economia. Segundo ele, um impulso fiscal é "perfeitamente razoável", mas é crucial que seja feito no contexto de um plano de médio prazo para reparar as finanças públicas.