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Entidades contrárias ao método de avaliação dos cursos de gradução tentam, mais uma vez, convencer e

Publicado em 28 de Junho de 2009 Por ADURN Sindicato

A tentativa de boicote marcou, pelo segundo ano consecutivo, o dia de provas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) em Brasília, que avalia a qualidade dos cursos de gradução. No país, dezenas de pessoas ligadas a movimentos estudantis e de professores contrários à avaliação do Ministério da Educação (MEC) fizeram manifestações contra o exame na porta das principais escolas do Distrito Federal. Segundo eles, o método não condiz com uma análise eficaz da qualidade do ensino superior no país. Organizadores do exame apostam no diálogo para encontrar soluções e melhorar o sistema de avaliação, obrigatório para alunos convocados. Os manifestantes não souberam avaliar o nível de adesão ao boicote.
Antes mesmo das 13h, horário de início das provas, a aluna de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB) Tatiana Gomes, 24 anos, chegou ao colégio Leonardo da Vinci, na 914 Norte. Nas mãos, folhetos impressos pelo Sindicato dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) com textos pelo boicote ao Enade. "A prova, que tem o maior peso na avaliação, não condiz com a realidade da educação superior, pois coloca a culpa da precariedade nos estudantes. Uma análise de verdade deve levar em conta a titulação dos professores e a estrutura da universidade, como laboratórios e o investimento em pesquisas", exemplificou a representante da União Nacional dos Estudantes (UNE).
O aluno de geografia da UnB Pedro Paulo Videiro, 23, optou por deixar a prova em branco. Segundo ele, das 40 pessoas presentes na sala, no colégio Dom Bosco, na 902 Sul, seis deixaram o local após cinco minutos do início da prova. "O boicote é uma forma de tentar melhorar a avaliação. Os estudantes devem ter essa consciência se quiserem um método eficiente", criticou. Como a maioria dos avaliados, o estudante de engenharia mecatrônica da UnB Danilo Alves Araújo, 27, preferiu responder às questões do teste criado pelo MEC em 2004 para substituir o Provão. "Acho que a nota pode me ajudar no currículo quando me formar", justificou Danilo, aluno do 10º semestre, que admitiu a dificuldade em responder as questões específicas do seu curso.
Mudanças
A professora Iguatemy Lucena, diretora de avaliação da educação superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ressaltou a importância do diálogo para o aprimoramento do exame. "A criação de um conjunto de novos indicadores de qualidade, como o Conceito Preliminar de Cursos (CPC) - com base no Enade, corpo docente e opinião dos estudantes sobre o curso - faz parte de uma reformulação ainda mais ampla da avaliação da educação superior no país", afirmou. Segundo ela, antes da divulgação dos resultados desta edição do teste, os cursos avaliados em 2007 terão seu CPC divulgado. Uma comissão de avaliadores visitou as universidades e faculdades para coletar dados para a formulação dos novos indicadores.
O Enade, que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), tem o objetivo de medir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos das instituições de ensino superior do país. Ao todo, 564.415 alunos se inscreveram na edição 2008 (13.683 no DF), sendo 329.569 ingressantes - que estão nos primeiros semestres do curso - e 234.846 concluintes - estudantes próximo de concluir a graduação. Dessa forma, espera-se obter a diferença entre o desempenho dos alunos ao entrar e sair do curso. O aluno escolhido pelo sistema de amostragem do Inep que não fez a prova perderá o direito de receber o diploma de conclusão de curso até que regularize a situação, já que o Enade é componente curricular obrigatório.

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