Governo faz proposta e médicos desistem de greve
Seja qual for a proposta apresentada hoje à tarde pelo governo do Estado às categorias em greve, já há duas definições por parte dos sindicatos: terá de vir acompanhada de prazos concretos e tem de garantir o pagamento de todos os planos e incorporações até o fim deste ano. Caso contrário, os servidores prometem manter e radicalizar as paralisações. Ontem, professores e servidores da UERN iniciaram greve; já os médicos retiraram indicativo da paralisação prevista para começar hoje.
Mesmo garantindo pela manhã que iriam iniciar a greve a partir de hoje, os médicos - em assembléia na noite de ontem, receberam e aceitaram uma proposta do Governo do Estado, apresentada pessoalmente pelo secretário de Saúde, Domício Arruda. Ficou acertado que haverá a incorporação de gratificações a partir de 30 de julho. Isso vai representar um impacto de R$ 1,7 milhão por mês na folha da saúde, segundo dados apresentados. Os médicos são a primeira categoria que recebe uma proposta concreta do Estado. Domício Arruda admitiu durante a assembléia que a proposta é um “tratamento especial” que o governo estava dando aos médicos.
Manhã
Ontem pela manhã, no próprio sindicato dos médicos, vários sindicatos que representam servidores do Estado se reuniram e concederam entrevista coletiva para anunciar união das categorias. Nesse momento, além da união, anunciaram uma possível radicalização do movimento. Estavam presentes os sindicatos dos Médicos (Sinmed), Trabalhadores em Educação (Sinte), Servidores da Saúde (Sindsaúde), Odontólogos (Soern) e Administração Indireta (Sinai), realizada no Sinmed. “Não vamos aceitar que empurrem para o próximo ano. É importante que todos os planos, reajustes e incorporações sejam cumpridos em 2011”, defendia pela manhã, Geraldo Ferreira.
Segundo ele, outros dois pontos acordados com os demais sindicatos é que a flexibilização dos prazos e condições dependerá de cada categoria e que será exigido também um projeto de recuperação da qualidade dos serviços públicos. O presidente do Sinai, Santino Arruda, exemplificou: “Não podemos aceitar que o Detran não tenha dinheiro para convocar os concursados, enquanto mantém contratos milionários de terceirização”,
Já o diretor do Sinte, Canindé Silva, criticou o fato de o governo não ter feito nenhuma proposta concreta. “O Estado tem dinheiro, o que falta é compromisso”, resumiu, afirmando que os “atos pacíficos” estão chegando ao fim e que o momento é de radicalizar as ações. Os sindicalistas admitiram, por exemplo, fechamento temporário de unidades, ou manifestações que interditem vias públicas.
O representante do Sindicato dos Odontologistas, Ivan Tavares, lamentou a situação de trabalho do servidores. “O governo conseguiu uma proeza: unificar o movimento sindical. E até onde isso vai?”.
O secretário estadual de Administração José Anselmo de Carvalho Júnior, reiterou que a disposição do governo “é de continuar dialogando com os servidores” que se encontram em greve. No entanto, o secretário voltou a dizer que não existe uma data para implantar os planos de carreira.
Pela manhã, antes de receber e aceitar a proposta do Governo do Estado, o Sindicato dos Médicos defendia a melhoria do serviço público: “a situação passou de crítica, se encontra caótica e está em vias de se desmanchar” , disse Geraldo Ferreira na coletiva ocorrida na manhã de ontem. À noite, os médicos desistiram do indicativo de greve.
Servidores e alunos da Uern em greve
Os professores, os técnicos e até mesmo os estudantes da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte se uniram em uma greve geral iniciada ontem. Os docentes decidiram pela paralisação após uma assembleia realizada na sede da associação da categoria, a Aduern, em Mossoró. O Sindicato dos Técnicos Administrativos da instituição (Sintrauern) também aderiu à paralisação, diante da falta de propostas concretas por parte do governo do Estado.“Até mesmo os bolsistas de iniciação científica estão sem receber desde setembro de 2010”, ressaltou Joel Gonçalves, do Diretório Central dos Estudantes (DCE) em Natal.
Os docentes rejeitaram a proposta do Executivo, que admite a reposição salarial de 23,98% e o descontingenciamento orçamentário da universidade, mas não estipula qualquer prazo, além de condicionar o cumprimento da pauta ao desempenho da arrecadação e ao respeito à LRF. “Por esse motivo a categoria optou pela greve”, Flaubert Torquato, da Aduern.
De acordo com Joel Gonçalves, uma das principais reivindicações é a melhoria da infraestrutura nos diversos polos e a conclusão das obras da sede em Natal, Já o técnicos querem a reestruturação do Plano de Cargos; enquanto os alunos lutam pela criação de pró-reitoria para Assuntos Estudantis, além da criação de residência e restaurantes universitários.