Metalúrgicos estão em greve pela manutenção de 1270 trabalhadores na fábrica da Honda, em Sumaré (SP
A queda no volume de produção da matriz da automotora Honda, localizada no Japão, pode causar a demissão de 1270 trabalhadores da montadora no Brasil. A fábrica japonesa fornece equipamentos eletrônicos e câmbio para a montagem de carros e motos para vários países, incluindo o Brasil, e está produzindo com metade da capacidade depois do terremoto que atingiu o país asiático em março desde ano. Por causa disso, no Brasil, a filial deve cortar de 600 para 300 carros a produção diária da planta em Sumaré (SP), de junho a dezembro desde ano, reduzindo de três para dois turnos de produção.
Os metalúrgicos brasileiros estão em greve pela manutenção dos empregos desde a última quinta-feira (12). “A disposição dos metalúrgicos em manter os empregos é enorme. A produção está paralisada desde quinta da semana passada. Temos assembleias todos os dias às 6h, 14h e 22h e os trabalhadores não entram para trabalhar”, conta Jair dos Santos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da região de Campinas.
Segundo ele, os metalúrgicos apresentaram uma proposta de manutenção dos empregos para a empresa. De acordo com a proposta, ao invés manter os dois turnos de oito horas para a produção de 300 carros por dia, a planta poderia continuar produzindo 600 carros em três turnos de cinco horas e meia cada. Com isso, todos os empregos poderiam ser mantidos. “Nessa proposta também estão previstas as férias de 400 metalúrgicos a cada mês para poder fechar a conta. Dessa forma, não haveria nenhuma demissão, e depois nós conversaríamos quando a situação melhorasse”, afirma.
"A Honda pode continuar produzindo 600 carros porque ela não tem problema de mercado no Brasil, o mercado brasileiro continua absorvendo”, completa Jair. No entanto, segundo ele, aparentemente não existe disposição da gerência da empresa em fechar o acordo. A questão de embate seria uma pequena queda na taxa de lucro, pela proposta do sindicato.
“Para preservar os empregos, a empresa teria que reduzir só um pouco sua margem de lucro. Em média, cada veículo produzido garante de 10% a 12% de margem de lucro para a fábrica. Na proposta de turno de cinco horas e meia, a produção de carro por trabalhador cairia de 0,18 para 0,12 por dia. O lucro retirado sobre a força de trabalho já é exorbitante, mas acontece que a Honda não quer nenhuma redução da taxa de lucro”, explica.
Entre 23 de maio a 5 de junho, os trabalhadores terão licença remunerada, o que deve acelerar as férias coletivas nas terceirizadas e as demissões. “A perspectiva de negociação está aberta, desde que seja a não demissão de trabalhadores”, afirma Jair.
A queda de produção no Japão põe em risco os empregos em todo o mundo. Na Argentina, segundo Jair, a situação é parecida pois a montadora também depende de produtos fornecidos pela matriz. Fornecedores terceirizados da Honda no Brasil devem despedir, em proporções ainda maiores que a montadora, caso se mantenha o cenário de corte de produção em Sumaré.
A Honda foi procurada pela reportagem do Brasil de Fato nessa terça-feira (17) e disse que responderia nossas perguntas sobre os cortes. Mas até o momento o momento da publicação não obtivemos retorno da montadora.