Editorial da semana: Novos rumos para um gigante adormecido
A ADURN, ao longo destes 29 anos de sua história, tem obtido sucesso em consolidar-se como entidade representativa e responsável dos professores da UFRN. O compromisso da ADURN, a partir do seu objetivo central, é defender os interesses específicos da categoria docente dentre as quais se destacam: salários equivalentes à importância que é a atividade de produção de ciência, conhecimento e arte, a formação profissional superior e a prestação de serviços à sociedade através da extensão que visa o desenvolvimento do Brasil; condições adequadas de trabalho para a realização da pesquisa, ensino e extensão de qualidade e finalmente a criação de espaços em prol da sociabilidade entre os professores.
A ADURN também deve expressar a posição dos docentes da UFRN na ampla agenda pública da sociedade, tanto em nível local como nacional. Os temas e questões que informam essa agenda – reformas política, fiscal e sindical; reforma do sistema de ensino superior, conjunto das políticas públicas de inclusão social e distribuirão de renda, entre outras – devem merecer a reflexão e posicionamento da categoria através da associação.
A atual gestão da ADURN tem um claro compromisso com esses objetivos e não tem medido esforços para cumprir com o seu bem-sucedido programa. No entanto, inclusive pelo êxito de nossa caminhada, precisamos de novos rumos à nossa atuação sindical e um dos aspectos que dificulta a afirmação plena destes novos rumos, é o seu atrelamento a uma estrutura burocrática pesada e ortodoxa, com altos custos políticos para a nossa categoria.
Prestação de contas
Nosso sindicato recolheu, em 2007, R$ 934.037,50, um valor expressivo, dentre as entidades sindicais. Deste valor, 21,5% das receitas “adurnianas” foram oriundas da área financeira e, desse montante, R$ 148.529,93, foi relativo aos rendimentos de poupança, o que equivale a 15,4% de toda a receita da entidade. Ao final de 2007, o sindicato obteve um superávit de R$ 220.803,48, demonstrando claramente que a ADURN está bem lastreada em termos de auto-sustentação.
Do lado das despesas, fundamental para a sustentação do sindicato e necessária para o desenvolvimento das ações políticas junto aos colegas e a sociedade, revela-se certas contradições. Considerando o somatório de gastos com salários, ordenados e benefícios dos funcionários da entidade, a contabilização chega a R$ 150.638,80, ou seja, 21,6% de todas as despesas. Isso para um conjunto de sete funcionários e cuja malha salarial foi construída ao longo do tempo. Por outro lado, a ADURN, por ser uma seção sindical do ANDES-SN, que está com o registro sindical suspenso desde dezembro de 2003, envia uma série de recursos cujo somatório, em 2007, chegou a R$ 144.119,93, que representam 20,7% de todas as despesas da entidade.
Portanto 42,3% de todas as despesas estão concentradas em duas ações: fazer funcionar a máquina burocrática interna e respaldar as ações do leviatã andesiano. Já as despesas com as assessorias (jurídica, de imprensa e contábil) foram da ordem de R$ 108.579,20, representando 15,6% de todas as despesas. Lembrando que tais despesas são necessárias para apoiar as ações da Diretoria junto aos seus associados.
Discutir as prioridades
A contradição se expressa nos gastos com atividades sociais, necessárias para a interação e integração da Diretoria com seus associados, entendendo que mais de 50,0% deles são aposentados. Nesse sentido os R$ 18.834,34 (2,6% das despesas totais) podem ser vistos como pouco expressivos diante da necessidade de interagir com a categoria. Além disso, os R$ 30.433,00 (4,3% das despesas) gastos com anúncios e publicidade se mostram tímidos diante da necessidade da entidade se fazer presente e reconhecida na sociedade.
São números que mostram uma entidade bem administrada financeiramente, mas que diante da dinâmica da sociedade se mostra tímida quanto a essa interação. São números que também demonstram que é necessário fazer um amplo e equilibrado debate sobre as nossas prioridades com relação ao direcionamento dos gastos, mantendo nossos princípios e objetivos e respeitando os 29 anos da nossa história. Teremos, em algum momento de discutir, de forma democrática, nosso relacionamento com o leviatã andesiano e, ao mesmo tempo, dar uma ênfase na nossa relação com a base da UFRN.