Reitoria abre sindicância para apurar os danos
A reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) abriu sindicância para apurar o ato, classificado pelos estudantes como de vandalismo, contra o patrimônio público ocorrido no laboratório de processamento de plasma (Labplasma), no setor III do campus central. O procedimento administrativo se refere à retirada de uma divisória - sem aviso prévio e procedimentos de segurança - que pôs em risco estudantes e professores do mestrado e doutorado em Engenharia de Materiais, na manhã da última segunda-feira. Os pesquisadores trabalhavam no local, quando um funcionário terceirizado derrubou a marretadas a estrutura, sob orientação de um professor Carlos Chesman, do curso de física.
A derrubada é resultado de uma disputa antiga entre os dois departamentos (Engenharia de Materiais e Física) pelo espaço. Um novo laboratório de plasma está em fase de construção. Além de separar os laboratórios de plasma, que abriga projetos de EM, e de Hidrogenia, pertencente ao curso de Física, na estrutura em fibra estavam as fontes de alta tensão de energia e de gás hidrogênio – o que poderia ter causar uma explosão - que alimentam seis equipamentos, avaliados em R$ 700 mil.
As providências em caráter emergencial, após o registro de violação junto à Divisão de Segurança Patrimonial da UFRN, são a garantia patrimonial, com a colocação de seguranças para guardar os equipamentos, uma vez que as portas estão quebradas e a fiação exposta no chão, além da restauração do tapume e a reinstalação elétrica e de gás. Apesar de não haver prazo especificado, o coordenador do Labplasma Clodomiro Alves Júnior espera que isso ocorra nos próximos três dias. “O maior prejuízo é para a ciência. São teses de doutorado e mestrado que dependem de resultados. Bolsistas que poderão perder prazos para defesa e até os benefícios porque não há previsão de em funcionando os equipamentos, quando poderemos obter os resultados”, lamenta Clodomiro Alves. O laboratório aporta as pesquisas de 40 estudantes da pós-graduação e dez de iniciação científica em Engenharia de Materiais, além de outros cursos da UFRN. Os equipamentos estão sem funcionar e aguardam a avaliação técnica da instituição.
Acusado de ser o responsável pelo transtorno, o professor titular do Departamento de Física Carlos Chesman alega que cumpriu autorização do Departamento ao qual pertence. “Acredito que nada vá me acontecer ao fim dessa sindicância. Agi sob tutela da direção do curso, que negociava desde 2008, com o professor Clodomiro a transferência do laboratório para as dependências do departamento a que ele pertence”, disse.
O que para muitos é vandalismo, Chesman define como medida de manutenção “A divisória feita em material inflamável não poderia ter sistema de fornecimento de gás e energia elétrica”. E acrescenta: “Pagamos R$ 10 mil para armazenar os aparelhos no aeroporto, porque o labplasma estava ocupado e não havia previsão de quando estaria livre”, observa.
UFRN avaliará danos para determinar pena disciplinar
Segundo informações da assessoria de imprensa da UFRN, somente após a avaliação dos danos e conclusão do processo administrativo serão determinadas as penas disciplinares, com base no regimento interno da universidade e o regime jurídico do professor.
O Ministério Público Federal informou, por meio da assessoria de imprensa, que irá instaurar um procedimento administrativo para avaliar os danos causados ao patrimônio público.
Ainda assustados e bastante revoltados, os pós-graduandos lastimavam o que classificam como despautério do professor. “É inconcebível que um funcionário público atente contra o patrimônio público e não seja punido por improbidade administrativa e danos materiais”, desabafa o mestrando Gilmar Anselmo. O doutorando Danilo Cavalcante Braz calcula que levará em média 8 meses, para chegar novamente à fase de experimentos. “Fomos ameaçados de agressão pelos capangas de Carlos Chesman, porque tentei preservar o reator com a minha pesquisa. Fora o risco de explosão, que foi debochado”, observa.
O professor de farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FRGS), Alexandre Macedo, que acompanha uma aluna do mestrado em pesquisa na UFRN, se disse surpreso com a truculência. “Nunca se imagina que um professor vá agir dessa forma. Voltaremos para o Rio Grande do Sul, sem concluir a pesquisa e teremos que retornar depois para isso”. O mestrando Ricardo César da Silva Rocha está com viagem marcada para a UFRGS, onde submeteria os resultados da pesquisa à análise. “Isso significa um ano de trabalho perdido” - tempo estimado para retomar ao ponto onde foi interrompido. Os estudantes, cujas bolsas de estudos vencem em março, defendem a prorrogação do benefício até a conclusão da tese. Nenhum deles pretende levar o caso a outras esferas.
Tribuna do Norte