Oposição oferece saída a Mubarak, mas mantém protestos
Líderes de partidos opositores do Egito recusaram hoje uma oferta de diálogo do presidente Hosni Mubarak e disseram estar dispostos a negociar a transição, mas depois que o presidente abandonar o poder e, eventualmente, o país.
Representantes de quase vinte organizações políticas e movimentos sociais exigiram que Mubarak transfira seus poderes ao vice-presidente Omar Suleiman para avaliar a possibilidade de discutir algumas das medidas anunciadas de modo tardio pelo chefe de Estado.
Mubarak ordenou na segunda-feira a Suleiman abrir um canal de diálogo e agilizar reformas, enquanto instruiu o premiê Ahmed Chafiq a promover a democracia, manter os subsídios e baixar alguns preços.
"O presidente pediu-me que contate com todas as forças políticas imediatamente para que conversemos sobre todas as questões pontuais referidas às modificações legislativas e constitucionais", disse Suleiman em coletiva de imprensa.
Mas a gigantesca concentração desta terça-feira em várias partes do Cairo e em outras cidades, que segundo estimativas supera um milhão de participantes, considerou "demasiado tarde" e "irrelevantes" as medidas do veterano presidente.
Para os que manifestaram-se na central praça cairota de Tahrir, o presidente deve renunciar, ainda que a televisão estatal assegura em suas reportagens que "milhares apoiam as novas decisões de Mubarak".
O chefe de Estado juramentou quase todos os ministros do novo gabinete, no qual há 14 novas caras, mas manteve os postos chaves como Defesa e Relações Exteriores.
Segundo fontes da Prensa Latina, a oposição egípcia não se mostra monolítica quanto a aceitar Suleiman como interlocutor, mas todas as correntes coincidem em que "não terá negociações até que as demandas do povo sejam escutadas".
Aymán Noor, líder do partido liberal Ghad, exigiu que as decisões tomadas no dia 25 de janeiro, quando explodiram os protestos, sejam invalidadas, enquanto o ativista opositor Mohamed el Baradei disse oferecer uma "saída digna" ao presidente.
El Baradei, prêmio Nobel da Paz, foi designado por grupos opositores representante para um eventual diálogo com as autoridades governamentais e pediu a Mubarak que vá embora antes da próxima sexta-feira "para evitar um banho de sangue no Egito".
Por sua vez, Noor insistiu em que não tenha negociação até que Mubarak tenha deixado o poder e explicou que os encarregados de falar da transição pelo movimento opositor têm que ser 10 pessoas do comitê eleito pelo parlamento popular e pela Coalizão Nacional para a Mudança.
"Essa coalizão é a que tem que negociar, sempre sob a premissa de que Hosni Mubarak vá embora", destacou o político laico.
Os opositores sustentaram uma reunião da qual esteve ausente a ilegalizada Irmandade Muçulmana, mas esse agrupamento fundamentalista assinou também as demandas de dissolver o Parlamento e criar um governo de transição sem figuras do meio de Mubarak.
Prensa Latina