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Indicadores de educação avançaram nos últimos 4 anos, mas em ritmo insuficiente

Publicado em 25 de Novembro de 2010 Por ADURN Sindicato

Nos últimos quatro anos, as desigualdades na escolarização no Brasil foram reduzidas, mas em ritmo extremamente lento. Se o país melhorou a média de anos de estudo da população de mais de 15 anos de idade e ampliou o acesso à educação infantil, pouco avançou na inclusão de jovens no ensino médio, e viu crescer no período a taxa de jovens de 18 a 24 anos fora da escola.
O Observatório da Equidade, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), apresentou no dia 18, dados preliminares de seus relatórios anuais sobre desigualdades na educação e no sistema tributário nacional. A versão final dos documentos será apresentada em dezembro, na próxima sessão do Pleno, e entregue ao presidente Lula e à presidenta eleita, Dilma Rousseff.
Esta é a quarta edição do relatório sobre iniquidades na educação e o segundo que trata do caráter injusto do sistema tributário nacional. Em 2005, o conselho apresentou à presidência da república uma agenda de desenvolvimento na qual a educação, juntamente com a reforma tributária, eram as principais diretrizes.
A partir da crise internacional (de 2008-2009), e da avaliação dos conselheiros de que o Brasil já entrou em um novo ciclo de desenvolvimento, a agenda foi revista. “Nessa segunda agenda, foi renovada a prioridade sobre educação e avançou-se no reconhecimento estratégico da educação para o país”, afirmou o conselheiro Clemente Lúcio Ganz.
Anos de estudo
Nos últimos quatro anos, a média de anos de estudo da população acima de 15 anos subiu apenas meio ano – de 7 anos, em 2005, avançou para 7,5, em 2009, de acordo com dados da PNAD. A desigualdade regional, no entanto, persiste: no sudeste, a média avançou de 7,7 para 8,2, enquanto o nordeste subiu de 5,6 para 6,3 anos.
Nos dois casos, porém, a média de anos de estudo ainda está distante do que se espera para a educação básica dos brasileiros. A emenda constitucional nº 59, aprovada no ano passado, estabelece a obrigatoriedade de 14 anos de estudo (dos 4 aos 17), meta que a presidenta eleita Dilma prometeu atingir até 2014.
As desigualdades com relação à cor de pele e entre o meio urbano e rural também não diminuíram. Em 2005, a população branca apresentava uma média de anos de estudo de 7,8 anos, e passou para 8,4 anos em 2009. Já para a população preta ou parda, a média era de 6 anos, e subiu para 6,7. No meio rural, a média de anos de escolarização é a mais baixa: apenas 4,9 anos, contra 8 do meio urbano. Ambas subiram cerca de meio ano com relação a 2005 – ou seja, a distância entre os dois se manteve.
Educação infantil
Entre as crianças de 4 e 5 anos, 63% frequentavam a pré-escola em 2005, e 70% em 2009. Apesar dos avanços, o Conselho aponta que um milhão e meio de crianças nessa faixa etária ainda está fora da escola.
A taxa de frequência às creches avançou cinco pontos percentuais desde 2005, mas o atendimento continua em um nível muito baixo: apenas 18,4% das crianças de 0 a 3 anos tem acesso a creches. A desigualdade entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres é expressiva, nessa etapa: 36,3% entre os que têm mais renda frequentam creche, contra uma taxa de 12,2% entre os mais pobres.
Augusto Chagas, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e conselheiro do CDES que realizou a apresentação dos dados de educação, apontou em sua fala outros indicadores que ainda não constam do relatório.
Segundo Chagas, o Brasil avançou de forma significativa no número de bibliotecas e na informatização das escolas, mas ficou estagnado na marca de laboratórios e quadras esportivas. Além disso, ele lembrou da questão da valorização dos profissionais da educação: vários estados não cumprem o piso salarial nacional, que é objeto de lei.

CUT

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