Brasil tem bom número de mulheres em C&T
De acordo com a doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), Alice Rangel de Paiva Abreu, “estamos em uma situação um pouco privilegiada nesse momento” no que se refere à presença da mulher na ciência. Na palestra proferida nesta sexta-feira, 30, no anfiteatro D da Escola de Ciência e Tecnologia da UFRN, foi demonstrado que, ao contrário da realidade em muitos países de vanguarda em C&T, o Brasil tem número equilibrado de cientistas de ambos os sexos.
A representação feminina em grupos de pesquisa abrange 49% do total de participantes. Quanto ao número de doutores titulados no Brasil, 51,5% são mulheres. Ainda assim, é inegável que há segregação, em todos os países, por área e sexo. No Brasil, por exemplo, de todos os integrantes de grupos de pesquisa em Artes e Linguística, 66,46% são mulheres, enquanto apenas 27% são do sexo feminino quando as matérias são de Engenharia.
A socióloga Alice Abreu explica que, em boa parte do planeta, as mulheres atingem níveis de carreira muito menores, pois há uma tendência delas a abandonarem as atividades científicas ao longo do caminho. Isso se dá por motivos como o balanço entre o trabalho e a vida familiar. Em números, há, no mundo, mais mulheres ingressando nos cursos de graduação, mas são os homens a maioria dos que atingem postos de doutores e professores plenos de instituições superiores de ensino.
Embora, no Brasil, haja pouca disparidade entre o número de mestres, doutores e estudantes de iniciação científica – na verdade, a maior parte desse grupo é formada por mulheres –, “há muitas mulheres adjuntas, mas não titulares na presidência de órgãos importantes ligados à C&T”, aponta Alice, que já foi vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Agecom/UFRN