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Veto de Bolsonaro ao reajuste do PNAE impacta verba para alimentação de crianças em escolas

Publicado em 22 de Agosto de 2022 Por ADURN Sindicato


Em pouco mais de um ano, a fome dobrou nas famílias com crianças menores de 10 anos, subindo de 9,4%, em 2020, para 18,1%. O dado é da Rede Penssan, que acompanha os números da soberania e segurança alimentar no país.

Porém, o presidente Jair Bolsonaro vetou na última semana a emenda parlamentar à Lei de Diretrizes Orçamentárias que prevê o reajuste de 34% ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, o PNAE.

Leia também: Fome se alastra no Brasil: 6 em cada 10 famílias não têm acesso pleno a alimentos

O reajuste, que havia sido aprovado em julho pelo Congresso Nacional, foi rejeitado por Jair Bolsonaro sob o argumento de que a proposta é “contrária ao interesse público”.

Se fosse aprovado, seriam destinados pelo menos, 5,53 bilhões de reais à alimentação escolar, um aumento de 1 bilhão e meio em relação aos 3,96 bilhões atuais. De acordo com Joaquim da Silva Filho, vice-presidente do Conselho de Alimentação Escolar de Pernambuco (CAE-PE), o reajuste do PNAE é fundamental para garantir que crianças consigam realizar pelo menos uma refeição por dia. “Significa achatar, ainda mais, o valor da per capita, que é irrisório. Consequentemente, reduzir a qualidade e a quantidade da alimentação da infância e da adolescência no âmbito escolar”, complementa.

Desde 2017 não há correção da per capita. Segundo dados do Ministério da Educação, atualmente, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação destina R$ 0,36 para a alimentação por dia de cada criança do ensino fundamental e médio e R$ 0,53 por aluno da pré-escola. O restante do valor da merenda é complementado pela arrecadação dos estados e municípios.

Reginaldo Xavier de Assis é secretário geral do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Pernambuco, o Consea, chama a atenção para a importância da merenda para a continuidade dos estudos: “A comida garante que o aluno permaneça na sala de aula. Então, isso é um fato”.

Merenda em Pernambuco

Em resposta enviada ao Brasil de Fato, a Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco informou que o programa atende aos mais de 500 mil estudantes da Rede Estadual de Ensino e o fornecimento é feito de forma universal e igualitária para os 184 municípios do Estado de Pernambuco.

A Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco afirmou, ainda, que, apesar do veto federal ao reajuste orçamentário, o atendimento aos estudantes da rede pública estadual de ensino não será impactado, uma vez que o governo estadual investe a maior parte dos recursos utilizados na alimentação escolar. O investimento anual realizado na alimentação escolar da rede Estadual de Pernambuco é de aproximadamente R$ 270 milhões. Deste total, R$ 70 milhões são do PNAE e os demais são recursos estaduais.

Fonte: BdF Pernambuco

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