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Novo presidente eleito da SBPC conclama à união da comunidade acadêmica e científica

Publicado em 24 de Junho de 2021 Por ADURN Sindicato
Filósofo Renato Janine Ribeiro definiu como áreas prioritárias de sua gestão, além da defesa da ciência, da pesquisa, da educação e da tecnologia, a saúde, meio ambiente, cultura e a inclusão social. Novos diretores reforçam papel estratégico da SBPC em cenário de crise sanitária, social e política
 

O novo presidente eleito da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Renato Janine Ribeiro, acenou para toda a comunidade científica no sentido de definir um projeto conjunto, unindo esforços para enfrentar o difícil cenário de pandemia e ataques do governo atual.

“A eleição foi uma disputa entre amigos e companheiros e é muito importante nos mantermos unidos”, afirmou Ribeiro, que disputou votos com o neurocientista e ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carlos Alexandre Netto.

Filósofo, professor livre-docente de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo (USP), Ribeiro foi ministro da Educação por seis meses na gestão Dilma Rousseff, em 2015, e membro da diretoria das principais agências de fomento à pesquisa, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, 1993-1997) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes de 2004-2008). Também foi membro do Conselho (1995-1997 e 1999-2003) e secretário (1997-1999) da própria SBPC.

As linhas de ação e primeiras medidas de sua gestão serão definidas, segundo ele, após o período de transição com a atual Diretoria. O resultado das eleições para diretores, conselheiros e secretários regionais foi divulgado nessa terça-feira, 22 de junho. Ribeiro e a nova Diretoria vão tomar posse no dia 23 de julho, na Assembleia Geral Ordinária dos Sócios, que será realizada durante a 73ª Reunião Anual da SBPC. Mas Ribeiro já definiu algumas áreas prioritárias nas quais pretende atuar nos próximos dois anos: a defesa da ciência, da pesquisa, da educação, da tecnologia, da saúde, do meio ambiente, da cultura e da inclusão social.

“A SBPC já se movimenta dentro uma ideia virtuosa entre todas essas áreas”, afirmou, ressaltando que hoje não se pode pensar em saúde sem pensar em meio ambiente e educação. “Por um lado, é preciso defender tudo que está ameaçado nestas áreas, e as ameaças são grandes; por outro lado é projetar um Brasil melhor justamente pela fusão destas áreas”, afirmou em entrevista ao Jornal da Ciência.

Para Ribeiro, uma questão crucial é retomar a atividade econômica pós-pandemia de forma que não seja prejudicial nem à saúde humana nem ao meio ambiente. “Não pode haver oposição entre saúde e economia”, afirmou.

No caso da inclusão social, ele destaca a educação de baixa qualidade dos jovens que acaba minimizando o potencial produtivo do País. “Cabe à SBPC juntar as pessoas que compartilham esses valores. É um trabalho coletivo, nem o presidente, nem a Diretoria podem fazer sozinhos.”

Sobre a luta em defesa dos orçamentos da ciência e da educação, ele frisa ser urgente, mas que não pensa a um retorno ao passado. “Precisamos aumentar o papel da inteligência, nossa sociedade chegou a essa crise em parte porque tem inteligência insuficientemente investida, o que implica que muitas pessoas se beneficiam dos ganhos da ciência, sem saber”, afirma. Um exemplo, diz, são os cerca de 20% de brasileiros que acreditam que a terra é plana, mas usam o sistema GPS do celular.

Janine Ribeiro defende que a difusão do espirito cientifico não seja só o conhecimento, dados e curiosidades. “É o espirito crítico, racional, da pesquisa, do pensamento lógico que tem que ser difundido”, afirmou, lembrando que este é um trabalho de longo prazo.

A socióloga Fernanda Sobral, que segue para seu segundo mandato como vice-presidente, ressaltou que a equipe que vai liderar a instituição pelos próximos dois anos tem grande afinidade no que concerne à linha de atuação da SBPC. “Temos pontos em comum nessa luta em prol da ciência, educação e direitos humanos”, disse. Sobral prevê um cenário difícil à frente, não apenas pela falta de orçamentos, mas também pelos efeitos do negacionismo e a falta de valorização da ciência. “Vejo um futuro difícil, mas acho que a SBPC já estava forte com a diretoria atual”, observou. A luta no Parlamento, na qual a SBPC sempre se posicionou de forma apartidária, vai continuar, garantiu.

O físico Paulo Artaxo, também eleito para ocupar uma das duas vice-presidências, afirmou que a SBPC já está no caminho certo. “A SBPC joga um papel importante na defesa da ciência, da educação, da redução das desigualdades e vamos continuar nessa linha”. Para ele, está ficando cada vez mais claro como o governo atual está trabalhando pela destruição e a degradação social, ambiental, econômica, ameaçando a democracia, sem nenhuma governança. “O País está à deriva”, criticou. Nessa luta, Artaxo acha que tem que ser utilizadas todas as ferramentas disponíveis, desde a sensibilização da opinião pública até o judiciário.

Artaxo afirmou que a SBPC sempre teve um papel fundamental no cenário político, tendo sido uma das poucas vozes que sobressaíam durante a ditadura. “Agora voltamos à necessidade premente de dar voz aos excluídos do poder econômico e político”. E completou: “Temos muito trabalho pela frente”.

Claudia Linhares, eleita para a Secretaria Geral da entidade, disse esperar que a nova Diretoria cumpra a contento o que fez o quadro de diretores que sai, agindo em todas as frentes, fazendo pressão no Congresso para recuperar orçamento de bolsas, resgatar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) da reserva de contingência, na luta pela democracia e pela divulgação da ciência.

“Nos dois últimos anos, a Diretoria que sai enfrentou um período excepcional em que todos tivemos que nos adaptar a uma nova maneira de trabalhar, de interagir”, disse Linhares, referindo-se à pandemia que forçou o isolamento social. “As lutas se intensificaram porque não se trata mais apenas de orçamento para as universidades, para a ciência, educação, mas pela liberdade de cátedra, pela democracia, pela vida, contra o negacionismo cientifico”, analisou. “Acredito que nosso futuro presidente, que é altamente experiente, muito capacitado, tem todo um histórico de vida e ações que nos permitem dizer que saberá guiar a SBPC por esses caminhos difíceis.”

Fonte: Janes Rocha – Jornal da Ciência

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