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Orçamento de 2021 foi aprovado sob pesadas críticas

Publicado em 26 de Março de 2021 Por ADURN Sindicato
Orçamento de 2021 foi aprovado sob pesadas críticas

Antes de ser aprovado, na noite desta quinta-feira (25), o Orçamento de 2021 foi alvo de pesadas críticas durante todo o dia por parte de parlamentares da oposição, acompanhados por colegas de outros partidos e blocos. Já a defesa da aprovação da peça orçamentária começou com o relator-geral do projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021, senador Marcio Bittar (MDB-AC). Ele ponderou durante a sessão do Congresso Nacional que os orçamentos anuais nunca conseguem agradar a todos e que o texto final é aquele “que foi possível no consenso”.

— Nós estamos conseguindo fazer um Orçamento que preserva. Do projeto que chegou às minhas mãos, por mais que alguém diga que não, nós aumentamos o dinheiro para educação e para saúde, garantimos os recursos para a continuidade da pesquisa sobre a vacina brasileira, que vai acontecer ainda este ano, garantimos a continuidade no Orçamento de mais de R$ 20 bilhões para que o governo federal continue comprando as vacinas.

O relator também afirmou que, se comparado com o texto inicial enviado pelo Poder Executivo, o texto aprovado no Congresso Nacional conseguiu aumentar os recursos da saúde em R$ 10 bilhões e da educação em R$ 2 bilhões, além de garantir R$ 200 milhões para o desenvolvimento de uma vacina brasileira contra a covid-19.

A defesa do texto, aprovado mais cedo na Comissão Mista de Orçamento (CMO), foi feita também pelo líder do governo Bolsonaro no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO). Ele garantiu que o Orçamento de 2021 não vai acarretar contingenciamento de recursos para a área de ciência e tecnologia. Disse também que a aprovação do Orçamento garante os recursos mínimos para amenizar a tragédia social em andamento devido à pandemia. Na avaliação do líder governista, o Congresso poderá corrigir parte do Orçamento futuramente, se as condições assim exigirem.

— Nós estamos aqui lutando para conseguir recursos, mínimos, para que a população brasileira não sofra com as mazelas da fome. Se nós não estivéssemos hoje aprovando este orçamento, estaríamos colocando, a partir de agora, além da tragédia da pandemia, todos os municípios e todas as obras nacionais em dificuldade.

O deputado federal Cacá Leão (PP-BA) foi outro a elogiar o relatório de Bittar. Em sua opinião, o Orçamento de 2021 dá tranquilidade à população brasileira de que haverá dinheiro para o enfrentamento da pandemia, para a compra de vacinas e para ajudar a retomada da economia.

O texto de Bittar, segundo o deputado federal Cláudio Cajado (PP-BA), busca atender com prioridade as áreas da educação, da saúde e de políticas sociais. Além disso, ele avaliou que haverá muitos recursos para investimentos em infraestrutura em todo o país.

— São R$ 30 bilhões que serão revertidos em investimentos, em infraestrutura, em aquisição de máquinas e equipamentos, na área da agricultura, na área do MDR [Ministério do Desenvolvimento Regional], com melhorias na infraestrutura urbana e rural, na própria saúde, com aquisição de equipamentos hospitalares, na educação, enfim, nas áreas que fazem o conjunto das políticas públicas do Brasil.

A causa da maioria das críticas foi o fato de o relator ter apresentado uma complementação de voto por meio da qual promove o remanejamento de despesas em montante superior a R$ 26,4 bilhões. O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), com R$ 10,2 bilhões, e o Fundo Nacional de Saúde (FNS), com R$ 8,3 bilhões, são os mais favorecidos.

Para fazer as mudanças, foram canceladas dotações reservadas inicialmente pelo Poder Executivo para benefícios previdenciários (R$ 13,5 bilhões), cujo gasto depende de crédito adicional para contornar a chamada “regra de ouro”, para o pagamento do abono salarial (R$ 7,4 bilhões) e do seguro-desemprego (R$ 2,6 bilhões). O orçamento robusto para as Forças Armadas também causou protestos.

Outra mudança criticada por parlamentares foi o corte de R$ 1,75 bilhão nos recursos do Censo Demográfico. Na complementação de voto, Bittar retirou mais R$ 169,7 milhões dessa ação orçamentária, agora sem nada para gastar.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que o PT era contra a aprovação do Orçamento por entender que houve cortes nas áreas de saúde, previdência, agricultura familiar e outros.

— Na época da Guerra do Paraguai, o governo brasileiro gastou cinco orçamentos para defender a pátria. Eu acredito que, neste momento, na guerra contra a covid-19, nós deveríamos gastar mais para proteger a gente brasileira e, óbvio, depois voltarmos a arrumar aquilo que fosse violado na área fiscal.

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) avaliou que o texto em votação diminuía recursos para a saúde, o meio ambiente e o IBGE enquanto destinava R$ 8 bilhões para investimentos na Defesa.

— O que é prioridade para este governo? — questionou.

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) afirmou que, no Orçamento de 2021, o montante destinado para a Defesa é cinco vezes maior que os recursos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

— A nossa guerra deveria ser contra o vírus e não [a favor] do fortalecimento dos privilégios daqueles que estão na cúpula das Forças Armadas, e que dão inclusive guarida para o discurso golpista do senhor Jair Bolsonaro.

A senadora Leila Barros (PSB-DF) disse que o texto em votação promove cortes na educação, no ensino universitário, na pesquisa, na ciência e tecnologia e no meio ambiente, mas aumenta as emendas parlamentares. 

— Há atenção insuficiente à saúde no momento em que vivemos a maior crise sanitária dos nossos tempos, em contraste com a elevação de gastos para o Ministério da Defesa. A guerra — eu quero lembrar a todos desta Casa — é contra o coronavírus. Nós estamos tirando simplesmente R$ 35 bilhões da saúde num momento como este.

Para a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021 “é o pior Orçamento da história”.

— O Orçamento votado hoje [quinta-feira] não está à altura das urgências que estão colocadas para a sociedade brasileira. Ele não responde ao maior momento de crise sanitária que as gerações vivas já experimentaram. Não responde à ampliação da pobreza, que está chegando na casa do povo, que está cada vez mais desnutrido nesse cenário. Não é um Orçamento que responde às demandas populares, que responde à tragédia que está em curso no Brasil. Mais de 300 mil pessoas perderam a vida e estão com as famílias em luto. E nós aqui, a partir de emendas inclusive individuais, estamos priorizando direcionar recursos para obras em estados. E, desculpe-me a sinceridade, no meu ponto de vista, isso é para fazer curral eleitoral. Não dá.

Após críticas de parlamentares, o senador Eduardo Gomes reconheceu a possibilidade de ajustar o Orçamento ao longo do ano devido à pandemia. "Queremos fazer este compromisso público com os partidos da oposição de [promover a] recomposição do Orçamento do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] para o censo. A correção do [orçamento destinado ao] censo é fundamental para a vida dos municípios", afirmou. Ele também prometeu recomposição dos orçamentos destinados às universidades federais e às áreas da saúde e da ciência e tecnologia.

Por sua vez, o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) opinou que o Orçamento de 2021 é “uma peça de ficção”. Segundo ele, houve redução nas dotações para Previdência, seguro-desemprego, abono salarial, censo demográfico e outros.

— Apesar de todas essas incoerências, apesar de toda essa "matemágica" para poder acomodar emendas que, provavelmente, serão contingenciadas, nós vamos orientar o voto "sim" pela necessidade que existe da aprovação do Orçamento. Mas é uma tristeza, e ainda teremos ao final um déficit primário de R$ 247 bilhões. Vai muito mal o nosso país, vai muito mal a nossa economia, mas orientamos "sim" porque, senão, seria ainda pior.

O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA) afirmou que o texto do Orçamento estava cortando R$ 40 bilhões da área da saúde. Para ele, o momento deveria ser de dar prioridade à área e fortalecer o SUS. Ele pediu mais recursos para geração de empregos, agricultura familiar, assentamentos da reforma agrária e quilombolas.

— Como se não bastasse isso, o Orçamento corta os recursos das universidades, da educação. Nós não podemos concordar com isso. Nós temos que fortalecer a educação e criar oportunidades para as pessoas estudarem. Esse Orçamento corta recursos do seguro-desemprego em um período em que estão desempregados 15 milhões de brasileiros e numa crise econômica que vai aumentar o desemprego no país. O Congresso Nacional não pode ser conivente com essa política de forma nenhuma.

Por sua vez, o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) criticou os gastos com funcionários públicos. "O que mais choca foi o Parlamento ter aprovado, no meio da pandemia, congelamento de salário de professor, médico e enfermeiro, enquanto a peça orçamentária concede aumento de salário para militares. Estamos dando aumento de salário no meio da crise para quem nem sequer está enfrentando a pandemia”, disse. 

— O Congresso Nacional age como puxadinho do Palácio do Planalto.

Crítica semelhante foi feita pela deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS). Ela declarou que a maior parte dos investimentos do Orçamento estão indo “para o Ministério da Defesa comprar submarinos, enquanto as pessoas estão morrendo sem leitos, sem oxigênio, sem vacina”. Ela criticou também o montante destinado ao pagamento de juros da dívida pública.

O deputado federal Vinicius Poit (Novo-SP) questionou o corte de recursos da Previdência e do seguro-desemprego para direcioná-los ao Desenvolvimento Regional, que não considera prioritário. "Não precisamos construir calçamento em rua enquanto falta vacina", protestou.

Já o deputado Jorge Solla (PT-BA) questionou o reajuste de R$ 7,1 bilhões para militares previsto no Orçamento de 2021. "Está faltando medicamento e oxigênio. Como é que, na maior tragédia sanitária, cortam-se R$ 36,1 bilhões da Saúde na comparação com o Orçamento de 2020?", indagou. Ele também disse que 22% de todos os investimentos do Orçamento estão no Ministério da Defesa, enquanto as universidades federais perderam 25% de seus orçamentos nos dois anos do governo Bolsonaro.

Após presidir mais de oito horas de sessão, o presidente do Senado e do Congresso, senador Rodrigo Pacheco, lembrou que a peça foi aprovada com atraso.

— É algo tardio, já é algo que se esperava. A votação do Orçamento de 2021 era para ter sido feita no ano passado. Houve um atraso. Mas agora nós demonstramos o nosso propósito de agilizar as questões do Brasil.

Também participaram dos debates os senadores Izalci Lucas (PSDB-DF), Kátia Abreu (PP-TO), Marcos Rogério (DEM-RO), Paulo Rocha (PT-PA), Jorginho Mello (PL-SC), Telmário Mota (Pros-RR), Soraya Thronicke (PSL-MS), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Alvaro Dias (Podemos-PR), Paulo Paim (PT-RS) e outros.

Saiba mais sobre o Orçamento com os vídeos do Orçamento Fácil. A Comissão Mista de Orçamento (CMO) 2020-2021 foi presidida pela deputada federal Flávia Arruda (PL-DF).

Com informações da Agência Câmara

Fonte: Agência Senado

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