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A mobilização social aprovou o Fundeb e derrotou os retrocessos pretendidos pelo governo Bolsonaro

Publicado em 22 de Julho de 2020 Por ADURN Sindicato

vitoria fundeb

Ao contrário do que vimos nas eleições presidenciais de 2018, quando as fake news tomaram conta das redes sociais e influenciaram negativamente as decisões dos eleitores, a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 15/2015 (FUNDEB), ocorrida no plenário da Câmara dos Deputados, no dia 21 de julho, foi marcada por uma avalanche virtual nas redes sociais que ajudou o Brasil a seguir na trajetória de conquistas para a educação pública de qualidade.

A aprovação integral do relatório da Prof.ª Dorinha Seabra Rezende – consubstanciado no trabalho da Comissão Especial do FUNDEB – e a rejeição dos dois destaques apresentados pelo Partido Novo, que pretendiam suprimir do Parecer a subvinculação de recursos para a valorização dos profissionais da educação e o Custo Aluno Qualidade (numa atitude golpista, anacrônica e reacionária contra a educação pública brasileira), tiveram ampla maioria entre os parlamentares graças à mobilização de trabalhadores em educação, estudantes e ativistas nas redes sociais, bem como ao empenho de parlamentares e gestores públicos comprometidos com a aprovação do novo FUNDEB. E a CNTE aproveita esse momento para cumprimentar e agradecer a relatora Dorinha e os membros da Comissão Especial, em particular o presidente Bacelar e os vice-presidentes Idilvan Alencar, Danilo Cabral e Rosa Neide pela condução democrática e comprometida durante toda a tramitação da PEC.

O Brasil foi e ainda é marcado por enormes desigualdades sociais, e muito disso se deve ao histórico de descontinuidade das políticas educacionais em nosso país, especialmente aquelas voltadas para a inclusão e a qualidade do ensino. O FUNDEB, instituído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006, à época do Governo Lula, ampliou a cobertura escolar do ensino fundamental (antigo FUNDEF) para toda a educação básica, incluindo a creche, tendo aumentado o financiamento federal na escola básica de menos de 1% para 10% do Fundo público e criado o piso salarial do magistério. Por essas razões, o FUNDEB é considerado a principal política pública educacional e uma conquista social contra a qual o governo Bolsonaro agiu fragorosamente nos bastidores, nos meios de comunicação e no próprio Congresso Nacional com o intuito de destruí-la. Felizmente, a ampla maioria da Câmara dos Deputados, esclarecida e pressionada pela mobilização social, votou contra o governo e pela constitucionalidade dessa política essencial para a qualidade da escola pública e a valorização de seus profissionais. Agora, falta aprovarmos o FUNDEB, em definitivo, no Senado Federal.

Ao longo da tramitação da PEC 15/2015, a CNTE demarcou sua posição sobre pontos que considerava importante serem melhorados, porém a conjuntura política não possibilitou progredir na proposta. A Entidade não concorda com a distribuição meritocrática de recursos entre as redes de ensino e é a favor da ampliação do piso salarial nacional para todos os profissionais da educação (professores, especialistas e funcionários). E esses e outros pontos continuarão na pauta da CNTE durante a tramitação da PEC do FUNDEB no Senado. Caso o Senado aprove essas alterações, o texto retornará para deliberação final na Câmara dos Deputados. E tal como ocorreu ontem, em apenas um dia a Casa legislativa poderá finalizar a votação da PEC, sem maiores prejuízos temporais.

Não obstante as observações acima, é preciso destacarmos os avanços na votação do parecer da PEC 15/2015, na Câmara dos Deputados. Em primeiro lugar, derrotamos as propostas do governo de incluir o programa assistencial Renda Brasil na complementação ao FUNDEB; de repassar os recursos do Fundo na forma de vouchers às escolas particulares – embora tenha sido aprovado o repasse às creches comunitárias, filantrópicas e confessionais –; de utilizar o FUNDEB para pagamento de aposentadorias e pensões e de incluir o salário educação na complementação aos entes federados. O governo também foi derrotado nas tentativas de excluir o CAQ e a subvinculação de no mínimo 70% dos antigos recursos e de até 85% do percentual novo de complementação da União para a remuneração dos profissionais da educação. A única “vitória” do governo se deu na votação do destaque que retirou a desoneração do ICMS (Lei Kandir) da cesta de impostos do FUNDEB. Ou seja: o governo comemorou desidratar o FUNDEB!

Outras conquistas na votação da Câmara dos Deputados referem-se à própria constitucionalização do FUNDEB, à elevação da complementação federal para 23% do total do Fundo, à distribuição mais equitativa dos recursos da União aos entes subnacionais (critério do Valor Aluno Ano Total – onde incidirá o CAQ) e outros dispositivos que contemplam uma melhor fiscalização dos recursos da educação e maior participação da sociedade na formulação, monitoramento, controle e avaliação das políticas educacionais.

Ainda teremos outros desafios pela frente, além da votação da PEC 15/2015 no Senado e da lei de regulamentação do novo FUNDEB. E o principal deles será a reforma tributária. O governo insiste em repactuar as vinculações constitucionais, sobretudo através da junção dos recursos destinados à educação e à saúde. E precisaremos ficar atentos e cobrar do Congresso maior compromisso e justiça fiscal. Quem tem mais deve pagar mais impostos. E no Brasil, infelizmente, ocorre o contrário. E as políticas sociais precisam ser preservadas e contar com mais recursos públicos para superar as históricas mazelas que afligem a maioria do povo brasileiro.

Parabenizamos a todos/as que estiveram envolvidos/as na árdua luta pela aprovação do FUNDEB na Câmara dos Deputados, e convocamos a base da CNTE para atuar durante a votação no Senado. Juntos/as venceremos essa importante batalha em defesa da educação pública, gratuita, laica e de qualidade social para todos e todas.

Brasília, 22 de julho de 2020
Diretoria da CNTE

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