CESO 2009 - Faz homegem a Claude Lévi-Strauss
O Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais realiza nos dias 07, 08 e 09 de outubro de 2009, na UFRN, o III Ciclo de Estudos em Ciências Sociais (CESO). Nesta edição, o evento faz uma homenagem ao antropólogo Claude Lévi-Strauss, importante personagem das ciências sociais no século XX.
Desde a primeira edição, em 2007, o CESO traz a preocupação em se consolidar como evento que compartilha e discute o conhecimento produzido por professores, pesquisadores e alunos do Mestrado e do Doutorado, bem como de professores e alunos do Curso de Graduação em Ciências Sociais (bacharelado e licenciatura) e das diversas bases de pesquisa do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Os interessados em participar do evento devem ficar atentos as etapas de inscrição, mais informações no site http://www.cchla.ufrn.br/ceso/
A Programação do evento será a seguinte:
Dia 07/10 (quarta-feira) – Abertura
Mesa Redonda Vanderlan Francisco da Silva e Wani Pereira Grecom/UFRN
Horário: 19hs
Local: Consequinho
Dia 08/10 (quinta-feira) Mini-curso / Tarde – 14/18hs
Dia 09/10 (sexta-feira) Grupo de trabalho / Tarde – 14/18hs
Dia 09/10 (sexta-feira) – Encerramento
Mesa Redonda com Dalcy (UFRN), Antonio Francisco Teixeira de Melo (Academia Brasileira de Literatura de Cordel), Joaquim Crispiniano Neto (Fundação José Augusto) e Ailton Siqueira Fonseca (UERN)
Horário: 19hs
Local: Consequinho
BIOGRAFIA
Claude Lévi-Strauss é antropólogo, professor e filósofo francês, considerado o fundador da Antropologia Estruturalista, em meados da década de 1950, e um dos grandes intelectuais do século XX.
Claude Lévi-Strauss nasceu em Bruxelas. Iniciou seus estudos em Direito e Filosofia na Sorbonne (Paris). Não completou os estudos em Direito, conseguindo a licenciatura em Filosofia. Durante este período, Lévi-Strauss conduziu seu primeiro trabalho etnográfico.
Seu livro As estruturas elementares do parentesco foi publicado no ano seguinte e, instantaneamente, consagrou-se como um dos mais importantes estudos de família já publicados. O título faz uma brincadeira com o título do livro de Émile Durkheim, As formas elementares da vida religiosa. No final da década de 1940 e começo da década seguinte, Lévi-Strauss continuou a publicar e experimentou considerável sucesso profissional. Em seu retorno à França ele se envolveu com a administração do CNRS e do Musée de l'Homme, até ocupar uma cadeira na quinta seção da École Pratique des Hautes Études, aquela de 'Ciências Religiosas' que havia pertencido previamente a Marcel Mauss e que Lévi-Strauss renomeou para "Religião Comparada de Povos Não-Letrados".
Apesar de bem conhecido em círculos acadêmicos, foi apenas em 1955 que Lévi-Strauss se tornou um dos intelectuais franceses mais conhecidos ao publicar Tristes Trópicos, livro autobiográfico acerca de seu exílio na década de 1930.
Em 1959 Lévi-Strauss foi nomeado para a cadeira de Antropologia social do Collège de France. Por volta desse período publicou Antropologia estrutural, uma coleção de ensaios em que oferece tanto exemplos como manifestos programáticos do estruturalismo. Começou a organizar uma série de instituições e confrontos entre as visões existencialista e estruturalista que iria eventualmente inspirar autores como Pierre Bourdieu. É doutor honoris causa de diversas universidades pelo mundo. Apesar de aposentado, Lévi-Strauss continua a publicar ocasionalmente volumes de meditações sobre artes, música e poesia, bem como reminiscências de seu passado.
Lévi-Strauss no Brasil
Na década de 30, mais precisamente de 1935 a 1939, Lévi-Strauss lecionou sociologia na recém-criada Universidade de São Paulo, juntamente com uma leva de professores franceses, entre eles: Fernand Braudel, Jean Maugüé e Pierre Monbeig. Strauss também excurcionou por regiões centrais do Brasil, como Goiás, Mato Grosso e Paraná. Publicou o registro dessas expedições no livro Tristes Trópicos(1955), neste livro ele conta inclusive como sua vocação de antropólogo nasceu nessas viagens.
Em uma de suas primeiras viagens, no norte do Paraná, Lévi teve seu esperado primeiro contato com os índios, no rio Tibagi, porém ficou decepcionado, ao ver que "os índios Tibagi não eram nem 'verdadeiros índios', nem 'selvagens'" (Lévi-Strauss 1957:160-161). Porém ao final do primeiro ano escolar (1935/1936), ao visitar os Kadiveu na fronteira com o Paraguai e os Bororo no Mato Grosso Central, lhe rendeu sua primeira exposição em Paris nas férias de (1936/1937), o que foi fundamental para entrada de Lévi-Strauss no meio etnológico francês. Em 1938 foi realizada uma expedição até os Nambikwara no Mato Grosso, porém, terminada antes do tempo devido a rumores políticos entre o patrocinador da expedição e o Gorverno Brasileiro, já que o mesmo era ligado ao Partido Socialista Francês. Essa missão também visitou os Bororo e os últimos representantes dos Tupi-Kaguahib do rio Machado, considerados desaparecidos, relata Lévi em Tristes Trópicos.
Enfim, após três anos no Brasil, Strauss volta à França com o reconhecimento de etnólogo do meio, provando assim que o seu período no Brasil, foi uma peça fundamental na sua carreira e no seu crescimento profissional. Diz ele: "Um ano depois da visita aos Bororo, todas as condições para fazer de mim um etnógrafo estavam satisfeitas;"(Lévi-Strauss 1957:261).