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Encontro em Recife discute a cobertura científica na imprensa brasileira

Publicado em 1 de Agosto de 2013 Por ADURN Sindicato

O jornalismo científico é um campo rico e amplo, prejudicado pela pouca comunicação entre jornalistas e instituições de pesquisa e carente de novas abordagens para atrair o leitor. A afirmação sintetiza as diferentes visões expostas no Encontro Imprensa de Jornalismo Científico. O evento, parte da programação da 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), encerrado nesta quinta-feira, no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, buscou identificar deficiências e apontar soluções.

Primeiro painelista a falar sobre a cobertura de ciência na imprensa, no domingo, Ulisses Capozzoli, editor da versão brasileira da revista Scientific American, comentou os desafios da formação do jornalista científico e as dificuldades de comunicação com suas fontes, os pesquisadores. Jornalista com doutorado em História da Ciência, Capozzoli defendeu a formação multidisciplinar do profissional da área, mesmo que de forma autodidata. Segundo ele, a necessidade de bagagem cultural se impõe pela difícil tarefa jornalística de esclarecer noções científicas complexas para leitores leigos.

- Se eu for fazer um artigo na área de cosmologia, vou ter que responder o que, quando, como e por que o Universo existe. Só o jornalismo se atreve a uma aventura desse porte - exemplificou.

Capozzoli falou no domingo, após a mesa de abertura do encontro de Jornalismo Científico no Colégio de São Bento, em Olinda, solenidade com representantes de diferentes instituições de pesquisa e ensino pernambucanas, além da presidente da SBPC, Helena Nader, e do editor da revista Imprensa, Sinval de Itacarambi Leão.



Jornalismo diário e mídia especializada

Na segunda e na terça-feira, a cobertura científica foi levada a debate no campus da Universidade Federal de Pernambuco. Primeiro com a mesa "A cobertura jornalística da pauta Ciência na imprensa brasileira", com os jornalistas Luís Nassif (Agência Dinheiro Vivo), Ricardo Novelino (subeditor do Jornal do Commercio) e Cristiana Andrade (Estado de Minas).

Para Nassif e Cristiana, abordagem e talento são os elementos capazes de transformar assuntos intrincados em textos que despertem a atenção do leitor. Novelino divergiu: segundo o editor, parte significativa dos assuntos científicos fica de fora do jornal por falta de identificação com o público - mal que, segundo ele, poderia ser minimizado com uma maior diluição de pautas científicas em diferentes seções do jornal, e não apenas na seção de ciência e tecnologia.

A repórter especial do Diário de Pernambuco Silvia Bessa ecoou a fala de Novelino no debate de terça-feira, sobre a divulgação científica na imprensa especializada. Silvia acredita que a ciência deve ser humanizada e abordada em seções diversas, evidenciando o impacto de tecnologias na vida de pessoas comuns como o leitor, que pode, assim, identificar-se com os personagens retratados.

O desafio não é fácil, mas parece embalado por bons ventos. Também na mesa de terça, João Alegria (gerente de programação, jornalismo e engenharia do Canal Futura) e Nereide Beirão (diretora de jornalismo da Empresa Brasil de Comunicação) destacaram que o público consumidor de jornalismo científico é variado e abundante, e que há muito público em potencial desestimulado pela forma como a temática é tratada.

Segundo Alegria, o Globo Ciência, um dos mais antigos e longevos programas televisivos sobre o tema, passou por diversas reformulações ao longo dos anos na busca por adaptação ao gosto dessa audiência dinâmica.

Nereide Beirão garantiu que a EBC deve inaugurar um programa de divulgação científica e uma página especial dedicada ao tema na Agência Brasil. Uma das motivações, segundo ela, foi uma pesquisa realizada entre 2007 e 2008, que revelou que a maioria dos jornais do país publicam menos de uma notícia sobre ciência e tecnologia por dia e que a dificuldade de entender o tema afasta cerca de 40% do público-leitor.



* O jornalista viajou a convite da revista Imprensa



Fonte: Zero Hora

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