Promessas de medalha em 2016 lutam para concluir universidade
Primeiro colocado no ranking mundial de judô na categoria meio-médio, Victor Penalber, de 23 anos, ainda não conseguiu vencer uma batalha importante: se formar em Educação Física. Nos últimos meses, o judoca conquistou medalhas de bronze no Grand Slam de Paris e de Tóquio. Até o mundial de judô, que será realizado em agosto no Rio, ele terá passado por competições no Cazaquistão, na Rússia e no Japão.
- São muitas viagens e é difícil conciliar o esporte com a faculdade. Para se comunicar com os meus colegas e fazer trabalhos em grupo, tem que ser via internet. A vida de atleta é muito curta, então a gente tem que estudar para o pós e tentar ganhar o nosso dinheirinho até lá. Sou apaixonado pelo esporte e me agarro ao sonho olímpico - comenta.
Ele está no último ano do curso de Educação Física da Universidade Gama Filho, onde estuda com uma bolsa herdada do tempo em que competia como atleta da instituição. O time de judô foi desfeito, mas o benefício ficou. Dificilmente, Victor conseguirá terminar neste ano a faculdade, iniciada em 2009. Falta o estágio obrigatório e, com a rotina de treinos e competições, fica praticamente impossível se comprometer com uma escola.
Morador da Freguesia, em Jacarepaguá, Victor conta com a ajuda dos pais para investir no esporte. A Confederação Brasileira de Judô banca suas viagens e fornece um salário que banca os custos do atleta. O Instituto Reação, onde treina, colabora com técnicos e também fornece uma ajuda de custo. Recentemente, ele conseguiu o patrocínio da Furnas, após vários anos sem um apoiador, o que garante uma renda mensal ao atleta.
- Como profissional, como atleta eu poderia estar recebendo melhor, afinal estou liderando o ranking. Tive que chegar ao topo do mundo para conseguir um patrocínio. Tem atleta que treina comigo e dorme aqui em casa por ser mais perto para ir ao treino. Às vezes falta o dinheiro da passagem.
As iatistas Martine Grael e Kahena Kunze, ambas de 22 anos, decidiram trancar a faculdade de Engenharia Ambiental, para se dedicar à preparação para as Olimpíadas de 2016. As atletas representam o Brasil na categoria feminina 49ERFX, que pela primeira vez estará presente nos Jogos Olímpicos.
- O treinamento dificulta os estudos e, agora, a nossa prioridade é a campanha olímpica - diz Martine, que é filha do campeão olímpico Torben Grael.
As viagens são constantes e um treinamento essencial para que a dupla. É nas competições internacionais que as duas têm como medir o nível de habilidade em comparação com outras atletas.
Martine trancou a faculdade na Universidade Federal Fluminense (UFF) no primeiro ano, e Kahena parou o curso na PUC-Rio no 9º período. Para as duas, a faculdade é uma forma de pensar no futuro e estudar um assunto que as atinge diretamente:
- A despoluição da Baía de Guanabara é urgente. As águas são mal cheirosas e há muito óleo. É algo que coloca em risco a saúde dos atletas, além de toda a população. A gente viaja pelo mundo e veleja em águas maravilhosas. É uma vergonha trazer as pessoas para competir aqui - destaca.
Sem patrocínio, as atletas dependem da ajuda financeira dos pais para seguir treinando. A Confederação de Iatismo banca somente os custos das viagens para as competições. O barco com o qual elas treinam foi comprado com o dinheiro da família.
- Temos o projeto aprovado de capacitação de recursos pela Lei de Incentivo ao Esporte, mas nenhuma empresa se interessou em patrocinar a gente. Na verdade, não sabemos por onde começar, como deve ser feito esse contato com os patrocinadores - lamenta Martine.
Já a velocista Bárbara Leôncio, de 21 anos, tem uma situação financeira mais estável. Atleta patrocinada desde os 14 anos, ela conseguiu comprar uma casa e um carro com o dinheiro ganho pelo esporte. Aluna de Educação Física da Estácio de Sá, Bárbara recebe uma bolsa de estudo de 70% da mensalidade, fruto de uma parceria com a equipe anterior com a qual ela treinava.
- Mesmo viajando bastante eu tento estudar. O atletismo não é para a vida a toda, então a formação é importante. Tenho o sonho de abrir uma academia e continuar trabalhando com atletismo - conta.
Fonte: O Globo